Entrevista Modesa

Do outro lado, localizado na Rua Almirante Gago Coutinho, pertencente ao concelho de Loures, a Escola de costura e design Traços e Pontos encerra o dia de trabalho corn a formadora Vanessa Maia que, em conjunto corn a sua mãe, Cidália Maia, fundaram o projeto da Escola de Costura Traços e Pontos. 

Em consequência da pandemia e acréscimo das medidas de segurança, a escola fornece um espaço amplo e com distanciamento assegurado para o bom funcionamento e saúde de todas as alunas. “Antes tínhamos mais alunas e éramos duas formadoras, normalmente era eu e a minha mãe que estávamos aqui. Atualmente já tiramos mesas de forma que estejam no máximo quatro ou cinco alunas a confeccionar, com apenas uma formadora, para não ter mais pessoas no espaço, o que acaba por nos limitar”, confessa Vanessa Maia. No entanto, a formadora acredita que há pontos positivos nos obstáculos: 

“Podemos ver que há de facto pontos positivos, no sentido em que o ser humano tem uma grande capacidade de adaptação e só não se adapta quem não quer. Neste sentido, a nossa empresa familiar é muito dinâmica”. 

 

Com a certeza do queria fazer do seu futuro, Vanessa Maia sofreu na pele a associação da costura para pessoas com mais idade, confessando o início menos positivo do seu percurso na área: “Na verdade fui muito criticada. Começaram a dizer que eu não devia seguir a área da costura, porque era de velhotas. Quando abria a porta a clientes, olhavam para mim e perguntavam, “Mas é a menina que vai fazer a roupa?” e foi uma das coisas que fez com que desgostasse um pouco de atelier. As pessoas não tinham confiança, e para uma pessoa que é jovem e está a começar, também fica com pouca confiança. Nesse sentido, a adaptação para com o público não foi muito fácil.”

Dentro de um panorama marcado pela evolução do gosto pela área da costura, há quem tenha a sorte de nascer dentro dele. Com mais de 10 anos de experiência na área, a fundadora do projeto Traços e Pontos, Vanessa Maia, nasceu a ver a mãe, Cidália Maia, a viver da costura. “Tenho a sorte de ter nascido com uma mãe que trabalha nesta área e de eu gostar. A minha mãe sempre teve um atelier e eu cresci nesse meio. Sempre soube que queria esta área, então segui sempre os meus estudos direcionados para design e costura. Quando acabei a formação, como a minha mãe já tinha o atelier, decidi juntar-me a ela. Nunca quis tirar outra área a não ser esta e estou bastante satisfeita”, relata Vanessa Maia. 

Ao nível do interesse pela área, há quem considere que está fora de moda, no entanto, Vanessa Maia nunca desistiu do seu sonho e completa: “Sempre soube que gostava disto e com a minha mãe sempre deu para termos trabalho e a nossa independência. Hoje em dia todas as pessoas da minha área, colegas, alunas minhas dizem ‘’Quem me dera ter seguido esta área quando era nova.’’Ainda bem que não desisti. Na verdade, cu acho que é importante a pessoa fazer aquilo que gosta e eu tive sorte de já ter a minha mãe na área.

Após o sucesso e confiança das alunas na aprendizagem na Escola de costura e design Traços e Pontos, o contexto pandémico e constante adaptação ao facto de estar em casa veio valorizar o interesse pela área da costura e do design. Segundo Vanessa Maia, “Era uma área que se estava a perder, e, de repente, começou-se a aperceber que havia poucas pessoas nesta área. Começou a haver mais pessoas a procurar e a interessar-se, devido a temas como a sustentabilidade, moda, readaptação e transformação e também devido às pessoas não quererem estar iguais às demais poderem mudar, alterar, fazer ao seu gosto. É completamente diferente.” 

 A Escola Traços e Pontos disponibiliza vários serviços, sendo que os mais procurados são os cursos de iniciação à costura direcionados para principiantes ou para quem já tem algumas bases. ” O curso de iniciação à costura serve para quem nunca pegou numa máquina de costura ou para quem nem sabe enfiar uma agulha. Num mês é garantido que sabe o básico, ou seja, sabe enfiar a agulha, sabe coser a máquina, sabe coser direito e fazer bainhas. Para quem já sabe coser a máquina, são autodidatas, mas não sabem mais que isso, ou seja, não sabem cortar uma peça, o curso ensina a fazer, por exemplo, uma camisa ou umas calças. Estes são os cursos mais procurados”, esclarece Vanessa Maia. 

Futuro Adiado

Traços e Pontos aproveita a ideia de desconfinar para delinear os objetivos, sem esquecer os princípios que fazem da escola o gosto das alunas. ‘’Mais tarde, o objetivo será certificar os nossos cursos, de forma que as alunas saiam daqui certificadas, mas não queremos perder a vertente de cada aluna fazer aquilo que quer, porque é um desafio e nós gostamos disso”, clarifica Vanessa Maia.

instagram: @modesapt

Todas as imagens e filmagens deste blogpost pertencem a  modesa

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top